A.Poética # 9

Bem-vindos ao A.Poética # 9

Este é um novo ciclo para o projecto que pretende, com epicentro na Ilha da Madeira, unir a Língua Portuguesa no âmbito da linguagem poética, desta feita aliando a fotografia – uma outra linguagem poética. Além disso, passamos a incluir uma secção de notícias relacionadas com o mundo  da poesia e da imagem.

Neste número damos a conhecer as impressionantes fotos de Miguel Jardim e destacamos a beleza da poética do brasileiro Luiz D Salles e o poema de Paulo César Moura em homenagem às vítima dos atentados de Paris no passado dia 14 de Novembro. Nas notícias, apresentamos “Silêncios”, o novo livro de Zelmira Ayres D’Abreu e lembramos um grande poeta e dinamizador cultural: A. J. Vieira de Freitas.

Saudações poéticas,

MF

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AS ESCOLHAS DO MÊS:

Há dias foi lua cheia

Sou um espelho da ideia da lua cheia.
Sou a noite escondida e sou a verdade química marcada no centro dos bichos.
Sou o chamamento e a intenção da lua. Um rumor intenso das mãos em chamas procurando o suor fervilhante, encontrando a carne pulsante.
Eu sou o nojo da razão no homem. E sou a procura da paz nessa luta entre instinto e educação católica.
Eu sou uma turbina eólica, gritando ao universo a vontade primitiva sem flores.
Sou o chicote e o nenúfar. O enxofre e o néctar. E a divina humanidade.
Sou o pulso egóico na reza a Deus e a máxima contradição incutida na semente até ser árvore. Ela existe. Porque sou e resisto. O conceito estilhaçado do respeito comendo sexo com ginástica lunar.
Pois sou todo o carinho no homem e toda a sua fúria, em medidas parentes mas diferentes, desmedindo-se pelos dias.
Sou a procura bussolada pelo norte inteiro. Sou a busca distraída mas intensa do que sou, lá mais à frente.
Sou todos os recomeços que escolhi para mim e serei alguns desses fins.
Eu sou o calo da minha severa vontade. Das experiências da minha vontade, tomada com jovial insensatez, com justificações assumidas como liberdade.
Eu sou a prova de um caminho porque eu sou o caminho. Sou a liberdade na queda e na ascensão. E sou a marca da redenção na ferida tratada com a saliva maternal.
Sou o paradoxo da incisão da liberdade. Um pináculo de onde podes sempre escolher precipitar-te.
Sou a mão ágil que esconde os sinais de Deus. E sou os olhos que escolhem encontrar esses sinais.
De regresso a casa sou de novo o espelho da lua cheia. Sou aquele estrabismo cansado pela serpente flamejante, que exercita um elogio breve aos instintos lunares.

***

Martelo. Mel

Esta é a minha honestidade
O martelo e o mel.
O martelo enviesado lançado pelo que se é nesse dia.
E o mel ainda pingando da língua
porque é de mel esse dia.
Respiras e ages a prumo certo
na verticalidade do que acreditas e sentes nesse instante,
de um qualquer dia.
A verdade acerta-se com a voz.
O respeito só se contenta com o total leito-caminho.
– Porque desta honestidade fonte-de-fuga entendes?
Algo estremece sem brilho
quando um ponto da fala sugere a ligação íntima
com o coração,
com o tecto do pensamento,
nesse dia.
Espera, espera.
Assusta-te depois.
Quando souberes a parcela essencial
da conversa louca deste dia.
A loucura acordou o vento, partiu as janelas por dentro
e a casa toda saiu à rua.
Espera,
porque a casa pode encontrar-te assim que deixares
Espera,
porque a voz é livre
e hoje há vento e há mel e há martelos
para me conheceres.
(esta é a minha honestidade:
cordão visceral ao nervo óptico,
olhar transparente do que sou)

***

Equinus

Trago um movimento oculto para o dia de hoje
Insano, bate como uma bigorna em espelhos de gelo
Como um ramo seco no fogo extinto
A boca aberta na fonte seca
Como uma criança com fome
Trago este movimento ao dia de hoje
Revira e revolve ideias em fast foward.
Revira os olhos de mulheres com sorrisos de Mona Lisa
Internos
Penso em oferecer-lhes amor de plástico e silicone
Erguer uma fogueira imensa em seu nome
Soltar a fúria da carne.
Na solidão e no silêncio esta força quina na moleirinha
Julgo ser uma força apenas masculina
As hormonas apenas fazem o seu papel natural
Aliadas ao crescente ferem quimicamente a aceitação do instinto
Correr até morrer com a nobreza de um cavalo.

***

Ostras. Mãos

No desígnio secreto dos dias
de cada dia
acontecem facas de veludo entre fadas de sálvia.
Acontece trintaporumalinha.
No forro de líquenes das tuas mãos
as luas do mês são oferecidas
as marés são descobertas
os peixes cantam
e as mães sossegam com a memória dos filhos
quando aceitam que eles já não lhes pertencem.
Naquela bula escondida entre os três tempos
eterna, onde tudo está marcado
acontece o mais belo incêndio
Acontece e desacontece
toda a vida e o seu espelho.
(E em Xabregas
também o Tejo sabe o seu caminho
Apenas eu o questiono.
Acontece em Xabregas
um suspiro solar. Vento quente
e acontece-me debaixo da pele.
O rio aqui tão perto. Tanta sede.)
As tuas mãos
duas ostras blindadas
onde o destino fermenta bênçãos e maldições
e imperceptíveis razões de existência.

 

Filipe Camacho nasceu a 1 de Setembro de 1977 e é natural de S. Pedro, Funchal. Frequentou a Escola Secundaria Francisco Franco e não tem formação académica. A paixão pela poesia acontece ainda na adolescência e mantém-se ate hoje embora com produção intermitente e sem nenhuma publicação significativa. Actualmente reside em Lisboa.

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I

© Miguel Jardim

© Miguel Jardim

O silêncio
Tece o fio das horas
Prepara o caminho
Rupturas no tempo
Deslacra a estrutura
Pelo corte da navalha

II
O silêncio a passos curtos
Desce a ladeira engatinhando
Crianças
Brincam
O olho brilha
Um caracol verde
Rodas de cantigas
Antigas melodias
O som canta encanta
Muda o curso
Da memória

III
A noite grita
Ecos
Vultos
Baila os vaga-lumes
Uma coruja pia
Faminta
A cria grita
Ávida esperança
O rio adormece nos barrancos
Profundamente
As pedras acolhem
Murmúrios Quedas águas
O vento sopra as raízes
A noite sonâmbula canta
Caminha no vale de cristal
Desperta florestas   As cores da manhã
Raios na face da noite
Tece um universo de sons

***

Um varal de galinhas
Nuas e magrelas
No agreste pernambucano
[Para seu Antônio Freire]

***

© Miguel Jardim

© Miguel Jardim

Epitáfio

Quero na minha lápide
Nada mais que um beijo
Quente e úmido
Da paixão
Que guardarei para sempre

***

“Jangada de Pedra”   © Miguel Jardim

Eternos abismos
Nas rugas das pedras
esconde-se o infinito.

***

“Tela #6”   © Miguel Jardim

Do lixo
Colheu restos
Entre gestos
Mastigava
O luxo
O mau cheiro
Não impediu
O gosto bom

Série de Poemas “Abraços” Publicados na revista Antenas &Raízes Nº09

Luiz D Salles (04/02/1956, Aparecida SP. Poeta, Compositor. Produtor Editor da revista Revista Antenas & Raízes. Produção de vídeos poemas 2013) Ponto de Cultura Mídias Literárias. Livro Premiado Alguns Poemas  Coletivo Dulcineia Catadora 2013. Subúrbios da Caneta. Dobra Editorial varias antologias e prêmios. 2014 Participa do Coletivo Tantas letras. Livro Os Sorrisos das Amoras 2014 Giostri Editora. Blog:  folhasderascunhos.wordpress.com

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1_abandono

© Miguel Jardim

Abandono

Desprovida de pensamento,
vazia de ideias,
compenso o mundo pelas palavras entorpecidas…

concentro-me no cansaço,
inconclusiva anestesia da alma,
caracol de tempo entontecido,
e faço deslizar as minhas hostes pelo nada…

cadências desperdiçadas nas profundezas do abandono…

Goreti Dias nasceu em Santo Tirso licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Na Universidade Portucalense fez a sua pós graduação em deficiência mental/motora. Participou, entre outras coletâneas, em A Arte pela Escrita( EscritArtes.com em parceria com a Editora  Mosaico de Palavras, 7 edições), Nas águas do verso (Lusopoemas), Entre o sono e o sonho, 4 edições (Chiado Editora), Contos cardeais ( Editora Mosaico de Palavras), Imagens da nossa memória ( EscritArtes.com em parceria com a Editora  Mosaico de Palavras), Som de Poetas (Papel de Arroz), Lugares de Palavras de Natal (Editora Lugar da Palavra), Lugares e palavras à moda do Porto (Editora Lugar da Palavra) Autora de “Diários, escritas quase inverosímeis” ( Editora Mosaico de Palavras), “Animais nada animais” ( Editora Mosaico de Palavras), “Animais ainda mais iguais” ( Editora Mosaico de Palavras), “Livro da Distância” (Linkprint)e “dos prazeres e seus contrários” ( Editora Mosaico de Palavras). Brevemente, ” Nuances de vermelho em carne ao rubro (Editora Mosaico de Palavras, setembro 2015).

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© Miguel Jardim

© Miguel Jardim

O sol da manhã Lurdes
É apenas um feixe de raios no esquecimento de nós
São lassos os elos que tenuemente urdimos
São crassos os erros que vorazmente maquinámos
É todo o parco sonho a esmaecer
O sol faz coro na tristeza que criámos

Nem dor nem lágrimas Lurdes
Nem tampouco qualquer cruel remoque
Nem o desgosto de não saber de novo o nosso gosto
Nem a perdição de nunca sabermos mais de nós
Nem o sol a saber nascer sem saber de duas bocas unidas
Por saber unidos os eleitos lábios

Os dias turbulentos Lurdes
São dias iguais a dias planos
Se caminhas por áleas de madressilvas
Recorda que no deserto dão-nos os cactos o aconchego
Não julgues perdido o momento sublime
No destino encontraremos a imagem sonhada

Vão díspares nossos olhares Lurdes
Vai certo o dia a nascer no horizonte
E ao meio-dia fechamos os olhos no solarengo esplendor
Ao meio-dia partimos ou ficamos tolhidos pela luz
No fim da jornada a cada um o seu porvir
Porque somos de sóis diversos

Nunca se faz tarde o desencontro Lurdes
Do outro lado do espelho fica o mar
Do outro lado de nós resta apenas um eco
Do lado justo das coisas vividas
Do lado que é só lembrança
Nunca o desnudes de todo Lurdes

Recorda sem amargura Lurdes
Que o mistério de não haver mistério algum
É deixar que a vida siga sem suposições tolas

Dionísio Dinis, pseudónimo literário de Manuel Joaquim Antunes Cardoso, é essencialmente um navegante das redes literárias virtuais e declamador ocasional. Mantém-se fiel ao espaço literário EscritArtes.com, lugar onde é Moderador Global. Nado e criado em Alhandra, concelho de Vila Franca de Xira, reside actualmente no concelho de Valongo. Participou em inúmeras colectâneas:  A Arte pela Escrita um, dois, três, quatro , cinco, seis e sete(Mosaico de Palavras Editora), Entre o sono e o sonho 3, 4, 5 e 6,(Chiado Editora) Imagens da nossa memória(Mosaico de Palavras Editora), Cartas ao desbarato(Mosaico de Palavras Editora, Contos de Natal (Lugar da Palavra), Poetas da Nossa Terra (Lua de Marfim)…

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© Miguel Jardim

© Miguel Jardim

No limbo da noite

No limbo da noite
caem as águas deste rio
um dia saído do nada
foi solidão
o vento será lembrança da lua
de ventre inchado
que roça este presente incerto
Quantas vezes repetirei
estes gestos maquinais
até que a espera termine
e lance as sementes da bonança

Rogério Saviniano Telo Licenciado em Inglês/Francês pela UMa, fez parte dos seus estudos na universidade de Gotemburgo. Desde muito cedo dedica-se à poesia pois esta é o elixir da existência.

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FOTOGRAFIA:

Toda a fotografia e a nova imagem do projecto é da autoria de Miguel Jardim, fotógrafo convidado para integrar o # 9 do A.Poética:

Miguel Jardim nasceu no Funchal em 1968. Dedicou-se brevemente à fotografia analógica, tendo começado a fotografar em digital em 2009. Já expôs individual e colectivamente no Funchal e em Viseu, contando ainda com algumas selecções e destaques no programa Casa das Artes da RTP Madeira e também no jornal digital P3, entre outros, fruto da sua presença na rede social Instagram. Publica regularmente nesta rede e, em especial, no seu blog A Gaivota Existencialista (agaivotaexistencialista.blogspot.com) e na sua página “Miguel Jardim” no facebook. A sua fotografia reflecte o gosto pela fotografia de rua, urbana e rural e pelo surrealismo na imagem.

© Miguel Jardim

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OS NOSSOS POETAS CONVIDADOS:

tempo polido

    Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
            Uma pedra de nascença, entranha a alma.
João Cabral de Melo Neto

pelas calçadas do funchal
(em pedra e arte calcetadas)
passaram meus ancestrais
pés descalços / solas gastas
corpos descuidados
a polir o (seu) tempo
sem atinar com ele
na paisagem entranhados

solas novas na pedra gasta
em cuidados, agora percorro eu
as marcas esquecidas, indícios
da pedra primeira
da pedra pedra
fundadora

Dalila Teles Veras, inédito

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Crónica 27

homens milenares – pesados de tempo como um rastilho
reduzidos à complexidade de um livro branco – simplificados até às sobras irredutíveis da impaciência terrena – tentando a dádiva paciente de divindades finitas – cercados por palavras inúteis – que nada fazem às couraças – aos istmos – às penínsulas e aos estreitos – palavras e sucessores das palavras que se desviam das quebradas – dos leitos das ribeiras – que não descoroam a montanha – que não fazem a montanha parir – nem murganhos de cabeças enfezadas
homens sempre catedrais em potência – em direcção a qualquer lado onde não faça sol ou temporal – catedrais de palha – com contrafortes de canavieira – espaços de fronteiras móveis – e passos de fronteiras imperiais – todos se demoram em todos lugares – não há memória de nenhum dos lugares
reduzidos restos de meia arroba de gente – com celeiros cheios de lastro inventariado e livre de imposto – nas mercearias recusam sempre o sal – homens de salinas em ruínas – nada põem sobre a mesa – nada têm ao lume – se tivessem queimaria – colheres e facas que enferrujam sem emprego – sem saliva – mãos em desuso de orgulho – não se colhe – não se levanta – não se corta ou apara – braços arrepanhados em frente do peito – braços em caixas estanques e higienizadas – sopram a poalha das coisas – das provisões acondicionadas ao fundo – tudo fica armazenado – perecível mas armazenado – apodrecem essas coisas com prazo afilado – restos de gente para quem não há sonhos de escassez – só pesadelos de abundância
é esta a terra – o maná – dá o leite e depois enquista-se a mama para dentro – fica o leite enegrecido em coágulo
gente que não suporta o olhar dos gatos – das crianças – de cães abandonados – apesar de perscrutarem como um cão abandonado – que vai de dócil a hostil como uma lâmpada queima – convalescentes em camas em migalhas – acamados em lascas – deitados sobre um espelho partido – espécie conservada com decalque e papel químico – com vestígios em negativo feitos em máquinas quase sem tinta – espécie proto-divina – proto-subliminar – proto – com progénie e descendência implícitas
homens que recusam uma segunda vinda – que recusam a vinda de profetas – a segunda vinda do profeta daniel – porque são afinal leões – esfomeados – apesar de tudo esfomeados – homens que são como metalurgias acabadas – em vez de casebres em construção – feitos de lâminas a deflagrar faíscas na pele de diamante – ao invés de braços como facas obtusas afiadas na pele de linho – que ateiam o fogo nas aras com fôlego distraído e lenha seca – em vez de fazerem tributo de sangue às chamas
homens como pensam que são a predilecta criação de deus na terra – e adormecem – e acordam – com a imortalidade do tempo perdido – descontado como contabilidade competente – nas mãos – homens que não entram de manso na cidade dos mortos – que não sabem que muitos jazigos parecem berços – que do berço à lápide não há caminhos paralelos ou estações evitáveis – pensam que são as únicas e intermináveis cogitações de um deus servil – e esquecem-se que numa cruz – num cemitério – tudo é circular e não há pontos de fuga.

Dinarte Vasconcelos, http://www.cronicasparadiaseguinte.blogspot.pt

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14/11

Em Paris, tinha um rapaz feliz que eu queria ser.
Não é porque diziam que gostava de ler e namorar,
passear e escrever poemas na beira do Sena.
Diziam que esse rapaz feliz de Paris
vivia à frente da nossa idade –
a favor da liberdade da arte e das diferenças culturais.
Tão só na sombra de mim mesmo em minha América mal amada,
caminho triste e a esmo, sem meu Rio Doce, tão lindo,
e, como se fosse domingo, vejo minha escola fechada.
O rapaz feliz de Paris que eu queria ser,
diziam, não suportava injustiça.
Não era como Macunaíma, não tinha preguiça,
fizera a Cidade Luz à custa da razão,
afastando de si a cruz e a superstição.
Contudo, o rapaz feliz de Paris está sem nada:
acordou com a asa ensanguentada
e seus olhos utópicos vazados.
Um grito da Terra Fraterna se ouviu daqui.
O que dizer ao filho? Por que essa guerra?
Como vamos prosseguir?
Atônito sábado desproposital mundo:
o fundo de deus é um saco sujo.
O rapaz feliz de Paris, que tristeza!, está morto
e eu sou a sombra dos esquecidos do qual sempre fujo.

Paulo César Moura, poema inédito

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A Luz Saindo por si Própria das Trevas

Procuro desenhar sulcos inteiros na pedra.
Em vão
Busco o peso sem cor
Na superfície das ondas…

E nada à minha espera
Para além do tempo branco.

Cansaço.

A solidão é o destino do teu olhar,
Eu sei.
E eu tenho que voltar a perder-me
No silêncio de fogo do meu caminho nocturno.
Mais uma vez.

A terra já não é a alquimia
Entre o ar e o oceano.
Há um gesto lento
Que me perfura as noites,
E já não consigo estar aqui.

Agora é só tempo
De esculpir a gema verde,
Alimentar os espectros,
Fazer da fala e do corpo
Um mesmo símbolo encoberto,
E partir sob as ondas,
Com o tempo a gritar
Baixinho
No espaço deixado vazio.

Miguel Santos, 2015

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NOTÍCIAS:

Três “universos” inspiradores” nos Silêncios de Zelmira Ayres D’Abreu

Zelmira Ayres D’Abreu, autora madeirense residente em Lisboa, esteve na Madeira no passado dia 19 de Outubro para a apresentação de “Silêncios”, o seu mais recente livro de poesia.
O evento decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal da…  (ler mais)

Vieira de Freitas nos 500 Anos de Santa Cruz

Inserido no Congresso Santa Cruz 500 Anos e nas comemorações do quinto centenário do concelho, realizou-se uma palestra acerca do poeta santacruzense António José Vieira de Freitas a cargo da docente da Universi… (ler mais)

Alpharrabio teve Dia D – Dia Drummond

No passado dia 31 de Outubro,  a Editora Livraria Alpharrabio (Santo André, SP), da nossa poeta convidada Dalila Teles Veras, juntou-se às comemorações do aniversário do nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond(ler mais)

Palimpsesto

Pensamento literário do mês, por Paulo César  Moura: Em termos comparativos, quero destacar um encontro fantástico de nossa literatura com a literatura portuguesa. Trata-se de um encontro entre duas épocas distintas; a saber: o século XVI e o século XX. No primeiro, … (ler mais)